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Margens e Mancha Gráfica

O conceito de mancha gráfica é amplamente utilizado na área editorial (em jornais, revistas, livros, periódicos etc), ela define uma área delimitada para impressão na página.

Geralmente os projeto gráficos editoriais mais tradicionais, como os livros de literatura, trabalham com uma mancha gráfica que apresenta um recuo de segurança em relação aos limites da página, porém não é difícil encontrar peças em que a área de impressão ocupa a página inteira e quando isso acontece chamamos de impressão sangrada. Na figura abaixo, seguem os respectivos exemplos citados:

mancha gráfica e impressão sangrada

Para o livro do Momotaro não projetei um grid fixo, mas procurei manter 2,5 cm de margens laterais, para que, ao manusear o livro, o leitor não fique com a mão sobre o texto, e também busquei não aproximar o texto mais do que 1,5 cm das margens superior e inferior, suficientes para que o texto não fique muito deslocado na ilustração e assegurar que não será cortado ao se fazer o acabamento do livro.

A figura abaixo mostra o planejamento das margens para a diagramação do texto:

mancha-gráfica

Na prática, o resultado final foi esse:

Considerei o resultado do teste com o protótipo bem sucedido, pois o texto continuou integrado à ilustração da página e a posição da mão ao manusear o livro não atrapalhou em nada a sua leitura. Saber posicionar o texto na página foi essencial para proporcionar uma boa experiência de leitura.

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Diagramação de livro infantil ilustrado

Bom, dando prosseguimento ao projeto gráfico, partimos agora para a etapa de diagramação.

Em posse do texto e das ilustrações, nesta fase o objetivo é combinar os dois elementos de forma harmoniosa, evitando que um atrapalhe o outro, seguindo como planejado no storyboard.

Ao diagramar o texto, deve-se ter cuidado para que o tamanho do corpo seja suficiente para ter uma boa legibilidade, ainda mais quando sobrepostas a um fundo ilustrado com as mais variadas cores e texturas. Alguns livros reservam uma página inteira só para o texto e outra para as ilustrações, outros livros utilizam um box de cor chapada (geralmente branco ou uma cor clara) para receber o texto e também existem aqueles que combinam as ilustrações com o próprio texto, ou seja, já são pré-concebidos para serem uma coisa só, quando se quer uma maior ou total integração do texto e o fundo ilustrado.

Abaixo, seguem alguns dos exemplos de diagramação mais utilizados em livros ilustrados.

No primeiro caso, uma diagramação que reserva uma página especial para o texto do livro, o resultado é uma página bem composta e limpa, mas com quase nenhuma interação do texto com as ilustrações:

exemplo de página tradicional

No segundo caso, um exemplo claro de como acorreu uma diagramação forçada (ou preguiçosa, como queiram chamar), um bloco de texto com muitas linha sobre box esfumaçado que ocupa a maior parte da ilustração da página:

Exemplo de diagramação forçada.

Nesse exemplo, uma página que combina texto e imagem, sendo que as ilustrações foram pensadas para não interferir no texto e vice-versa:

Exemplo de diagramação nos espaços em branco.

Abaixo, um exemplo de como o texto pode ter tanta relevância para a narrativa, que em alguns momentos se comporta/confunde como ilustração. Há um alto nível de integração entre o texto e imagem, porém deve-se considerar que na ocorrência de uma tradução da obra, o processo de adaptação seria mais trabalhoso.

Diagramação 5

Neste último exemplo, uma página que combina texto e imagem, onde além de dividirem o espaço em comum, a própria linguagem gráfica dos elementos tenta ser uma coisa só. Observem como o desenho da tipografia segue um traço semelhante ao da ilustração:

Exemplo de diagramação do texto aplicado à ilustração.

Existem diversas maneiras de se diagramar um livro infantil, os exemplos acima são os que eu considero como as formas mais tradicionais.

O tipo de diagramação também pode variar bastante de acordo com o objetivo, o autor e a natureza do livro. Você pode observar tipos de diagramação não-convencional em livros de poesia concreta, livros com pop-up, display eletrônicos, com janelas, enfim, uma infinidade de possibilidade.

Para o projeto do livro ilustrado do Momotaro, resolvi diagramar o texto fazendo uma composição semelhante ao último exemplo mostrado, onde a ilustração (desenvolvida de forma a já ter estabelecido uma área para receber o texto) ocupa todo o espaço da página. Quanto a tipografia, como justificado no post anterior, esta possui um desenho similar ao traço das linhas do desenho, o que permite uma maior interação entre elas.

Seguem abaixo, alguns exemplos de páginas já diagramadas:

Momotaro nascendo do pêssego

Momotaro navegando para Onigashima

No próximo post continuarei a falar sobre o assunto, explicarei o porque de algumas escolhas e sobre a importância da mancha gráfica.

Até mais!

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Escolhendo o tipo certo

Já com as páginas da história finalizadas, realizei a montagem do livro e a distribuição das páginas seguiu como determinado no storyboard. O próximo passo foi a escolha de um tipografia para o texto.

Escolhi trabalhar a família tipográfica Alsina Ultrajada, pois ela apresenta algumas características que estava buscando: possui um desenho simples e de fácil leitura e ainda possui pequenas imperfeições que a deixa menos conservadora além de combinar com o traço das ilustrações.

Um exemplo dos caracteres da Alsina Ultrajada:

exemplo tipografia alsina

Acredito o desenho das letras se integram bem ao estilo das ilustrações. Além disso, a tipografia tem peso suficiente para se apresentar sem precisar utilizar um corpo de letra muito grande e mesmo assim permitir uma boa leitura, ocupando menos espaço, por ser condensada.

No próximo post mostrarei um exemplo de como ficou a união das ilustrações com o texto.

Até la!

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Arte-finalizando

Esta é a etapa em que as ideias se concretizam, tomam forma e representação final, assim como o leitor verá no livro quando estiver em suas mãos.

Cada ilustrador tem sua forma preferida de arte-finalizar (caneta, pincel, lápis, digital etc). No meu caso, escolhi arte-finalizar digitalmente, pois acredito que apesar de não ser a forma mais simples e rápida, seria a forma mais versátil.

O primeiro passo foi escanear as páginas rafeadas para serem finalizadas digitalmente. Depois de escaneadas, as páginas foram vetorizadas.

Página dupla 13-14

A line art foi feita no programa Adobe Illustrator CS3, onde eu criei alguns brushes (pincéis) para simular a variação de espessura do traço da caneta.

13-14 arte-final

O processo de colorização, aplicação de texturas e retículas foi realizado no programa Adobe Photoshop CS3. Segue abaixo, um exemplo da evolução das etapas até a finalização da ilustração.

Cores primárias:

13-14 cor 1

Luz, sombras, e adição de texturas:

13-14 cor 2

Efeitos de iluminação/temperatura de cor:

13-14 final

Esse é o resultado final de uma página-dupla do livro (quando nossos heróis partem para a ilha de Onigashima) e está pronta para ser diagramada com o texto.

Engraçado que olhando apenas o rafe não dá pra ter ideia da quantidade de detalhes e informações visuais que são apresentadas numa página finalizada, cores, sobras, texturas, colagem etc que são todas feitas digitalmente.

Deu pra perceber a evolução na ilustração?

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Ilustrando as páginas do livro [4]

Olá, galera! Continuando os posts das páginas ilustradas do livro, segue abaixo mais alguns rafes.

Essa é a parte em que Momotaro encontra os animais pelo caminho ruma à terra dos terríveis Oni!

Quando Momotaro san encontra o cão em sua jornada.

Quando Momotaro san encontra o macaco na árvore, durante sua jornada.

Momento em que Momotaro san encontra o faisão que decide acompanhá-los na jornada em direção à Onigashima.

É isso ae! Pretendo mostrar mais algumas páginas rafeadas e depois partir para a arte-final e colorização!

Até mais!

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